Voltou, tímido, apenas um calor pálido pintando levemente de amarelo um canto da sala.
É Março, mês do nascimento da Primavera e do meu Pai. Na casa nova, mas não naquela com que sonho ainda.
Nessa, ele vai entrar pelas janelas abertas e passear com calma por cada quarto e cada sala, desde manhã cedo até ao final da tarde. Vai habitar o espaço na minha ausência, a sua presença quente vai receber-me no regresso a casa.
À noite, o seu calor vai dar lugar ao do fogo ardendo na lareira, afastando a solidão. A sua luz vai dar lugar à da lua cheia, espreitando pela clarabóia, velando atenta.
A casa vai abrir-se e fechar-se na medida certa do seu abraço maternal, confortando-me até voltar o sol. E a vontade de sair e de me perder novamente na cidade.