A Cidade e o Mar

O grito de uma gaivota rasga o silêncio da casa, arranca-me da espiral de pensamentos e arrasta os meus olhos vazios para a janela do quarto.

Um azul de céu luminoso enche-me o olhar, inunda-me a mente, lava-a de todo o ruído.

Está sol lá fora, a chuva e as nuvens desapareceram e uma luz dourada entra pela janela, poisa sobre as coisas como uma carícia, torna-as macias e quentes.

Sinto uma energia a nascer dentro de mim, a percorrer-me os braços, a crescer até me preencher completamente o corpo.

Com os olhos no azul do céu, como um íman, vejo-me a atravessar a cidade.

Sorrio – hoje vou ver o mar.